Na fila do caixa, nada de especial. Até que ele chegou, meio de lado, com seu par de olhos muito pequenos e claros. Discretamente colocou a mão no bolso e anunciou o assalto. Assim mesmo, muito calmo e sem nenhuma pressa, virou em sua direção. Os olhos dela, parados; como se vissem através dele. Desistiu. Devolveu o produto do roubo, virou as costas e sumiu na rua. Ninguém o alcançou nem soube dizer ao certo pra que lado ele foi. Ninguém sabia, mas ele nunca mais voltaria a empunhar uma arma, por causa do olhar daquela criança. Cega.
Gosto dos contos minimalistas. Eles não ocupam muito espaço, não dizem quase nada e te fazem viajar pra tão longe que fica quase difícil voltar, depois... Diga tudo, com o menor número possível de palavras. Adoro isso. Eu, uma prolixa confessa, vejam só...
quinta-feira, 17 de abril de 2008
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