Gosto dos contos minimalistas. Eles não ocupam muito espaço, não dizem quase nada e te fazem viajar pra tão longe que fica quase difícil voltar, depois... Diga tudo, com o menor número possível de palavras. Adoro isso. Eu, uma prolixa confessa, vejam só...
domingo, 20 de abril de 2008
Surpresa
A noite estava quente. Deixou a janela aberta. Deitou no sofá e ligou a televisão. Jamais soube quem desferiu o golpe fatal.
Valor
Comprou uma tela enorme, tintas e pincéis. Vários dias, esperando inspiração... A enorme tela branca foi vendida por milhões.
O segredo
Juntou-se aos índios, no meio da floresta, pra ver se encontrava, finalmente, o segredo da felicidade. E encontrou. Estava dentro dela o tempo todo, independente de onde ela estivesse.
Negativa
Esqueceu os espelhos. Esqueceu os cabelos. Esqueceu as doçuras. Esqueceu as delicadezas. Esqueceu a poesia. Esqueceu os joelhos. Esqueceu a taquicardia. Esqueceu o assombro e a folia. Escolheu dizer NÃO.
Atentado
Cansada de tudo sempre igual, passou a mão na tesoura, cortou os cabelos e as roupas, despiu-se completamente e saiu, sorrindo. Na primeira esquina, foi presa, por atentado ao pudor. E nem sabia o que era isso.
Hora marcada
O toque no celular indicava que a hora era aquela. Respirou fundo, fez o sinal da cruz e enfrentou a rua.
Impressão
Quantos meses se passaram? Três, quatro, doze, talvez. Mesmo assim, tudo parecia ter acontecido na noite anterior.
Fogo de palha
Não foram tantas as vezes em que se apaixonou de verdade. Fogo de palha, na maioria delas. Uma chuva fina apagou fácil, fácil, a maioria. Não dessa vez. A chuva foi torrencial e o fogo continuou ardendo. Até quando, impossível prever.
Assinar:
Comentários (Atom)