segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Portão

Fora, os olhos escondidos nos óculos escuros. Dentro, todas as divisões do mundo. À noite, silêncio.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Vida

Despreocupou-se com as possibilidades contrárias. Quem adivinharia o dia de amanhã?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

#Minicontoinstantâneo

O motim cerebral deixou a vida dele de cabeça pra baixo.

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Na solitária e sombria escuridão das ruas desertas, o vento ventava-lhe frio nas veias.

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A vida dele de cabeça pra baixo e todos os pontos de interrogação miando na boca dos gatos.

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Os telhados de vidro rebentaram diante da violenta exclamação:NÃO!

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De repente, começava a ser possível colocar a vida de volta nos eixos. Pq não?

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Encara o cigarro recém aceso. Uma das primeiras decisões: deixá-lo.

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Sabia que o minuto seguinte sempre seria uma incógnita,o q provocava insuportável angústia.

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Calados os gatos, a fumaça da metade do cigarro diluída na espessa nuvem de medo. Corria.Pra onde?

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"Como saber a direção certa, sem placas indicativas?" Pensava, enquanto passava por putas e ébrios...

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Sabia que o caminho não era por ali.

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Buscou nos bolsos d'alma o mapa que o levaria de volta. Quem o tomaria pela mão?

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A rota escrita em versos. Palavras apontando o Norte. E um sussurrante vento...

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Uma breve batida na porta e o que ouvia não era o som da madeira, mas o do coração.

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Acostumou-se com a claridade chegando devagar,como quem desconfia da mão que escreve o verso.

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Flores brancas sobre a mesa. Um livro aberto. A página seguinte aguardava leitura.

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Observou a gargalhada dançando no ar."Ninguém é uma ilha", nem a lágrima nem o riso nem o louco. Ele.

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Pensou nas próprias escolhas. Procurou sutilezas. Desabou no sofá bordado de luas.








Mais um diálogo com @ProjetoPalavras. Fértil madrugada de 17.06.2011.



Decididamente, Twitter também é cultura.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

#Minicontodemomento

Após devorar, palitou os dentes.

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Dentes devidamente palitados, retirou-se, esquecendo a gorjeta do garçom.

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De pratos, palitos, bilhetes desaforados, ele fazia coleções.

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Ela jamais fugia de um desafio de letras.

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De um lado do guardanapo: "devora-me", sob o batom; do outro: "decifro-te", atiçava-lhe a curiosidade.

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Cara: "devora-me". Coroa: "decifra-te". De uma forma ou de outra, o imperativo assustava.

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A marca de batom desbotava no guardanapo, enquanto ele decidia a importância da saciedade.

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O papel fino desmanchou-se no gosto de morango e no calor da saliva."Decifra-te", no ouvido dele.

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Vomitou os sonhos, serviu-se de um porção generosa de realidade e decidiu nunca mais palitar os dentes.

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Sempre soube que o que é pode deixar de ser, e o que sempre foi nem sempre será.






(Contos minimalistas escritos em conversa com @ProjetoPalavras, na madrugada do dia 16.06.2011)

Quem disse que Twitter não é cultura? 

domingo, 12 de junho de 2011

Vazio

Um único sentimento ocupara tanto espaço, que todas as coisas menores ficaram pra trás.

Cofre

No fundo falso da alma, esconderia o nome dele. Pra sempre.

Atitude

Trancou a porta. Propositalmente esqueceu o segredo da chave. Nenhuma outra entrada lateral. Finalmente se sentia segura.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Do dizer

Quando escritas, as palavras pensadas não seriam ditas. E assim, talvez, não fizessem estrago.

sábado, 16 de abril de 2011

Girassois

*



A estrela nasceu no meio dos girassois, depois de balbuciar "Gogh"...






*Obra de Alina Aver, pintada em abril de 2011, baseada em GIRASSOIS, de Vincent Van Gogh

segunda-feira, 11 de abril de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Causalidade

Seria uma pessoa melhor, sem dúvida, se eles tivessem ficado juntos lá, quando as inocências os impediram de.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Outro jeito... IV

Buscaram alternativas. Daquele dia em diante, seria impossível negar a força da ligação.

Outro jeito... III

Ele foi. Ela ficou. E daí?

Outro jeito... II

Arrancou a folha de uma árvore, à beira da ponte. Guardaria pra sempre, junto com o lembrança daquele dia.

Outro jeito...

Sem ter como demonstrar o tamanho do orgulho que sentia, escreveu, no verso de um guardanapo de papel, no Shopping: "O cara que te inventou, merece o céu!".

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Horário de Verão

À meia noite, os ponteiros  dos relógios voltaram para as 23 horas. A vida seguiu adiante...

Saúde

Não precisava de consulta médica. Aquela falta de fôlego era pura saudade.

Você tem uma nova mensagem....

... pontofrio.com ...

Estrada

Quilômetros depois, se deram conta do que tinham deixado pra trás. E resolveram voltar. No tempo.

Água mole em pedra dura...

Ela passou, bem na hora em que ele lavava o carro. Levou um banho d'água fria.

Dúvida mortal

Não sabia se casava ou comprava uma bicicleta. Morreu, antes de decidir.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Na diagonal

Ela era uma frase curta.

Belvedere

Antes da paisagem, era a imagem dele que ela queria na íris...

Turismo

Os turistas, todos, eram perfeitamente dispensáveis.

Desatino

Ser feliz era mais importante.

Privacidade

E só o que eles queriam era estar a sós.

Importância

Ele se importou com o que ela estaria pensando. Ela não.

Explosão

Nada mais fazia sentido. E era delicioso que fosse assim.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Aviso Prévio

Preferiu ter feito barulho, alertando sobre sua chegada. Evitaria, assim, saber.

Preço

Valia mais de vinte mil. Caridosa, dava de graça.

Discrição

Invisibilizava-se.

Engano

Ele começou a dizer o nome da outra; conteve-se a tempo. Ela fingiu não ter percebido.

Prisma

Aos olhos dos outros, estar ali não se constituía um grande êxito. Aos dela, era o máximo da conquista.

Ponto de vista

Tudo bem? Tudo ótimo. Bah, que bom! Conta o que houve. Uma coisa muito boa, mas é só minha, não posso contar. Tá. Mas, já que foi tão boa, vamos comemorar. Hummmm...Como? Sei lá, o que sugeres? Um jantar e balada, a noite toda. Ok. Ah, fala sério, tu não sairias com uma coroa. O que?
Virou as costas e foi embora sem se despedir, furioso com ela. Onde já se viu, mulher tão linda, se achar coroa?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Salvamento

Do outro lado da rua, esperava a irmã mais velha. Ela, preocupada, atravessou, sem olhar para os lados. O baque surdo foi o último som ouvido. A expressão de espanto no rosto dele, a última visão.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Permanência

Ele ficava com os olhos verdes, de vez em quando. Ela herdou esse mistério. A parte boa de quem se foi, permaneceu.

Causalidade

Há tanto tempo não se falavam que acabaram descobrindo a inutilidade das palavras.

Segredo

Quando ele tinha problemas, fechava-se em copas. Nem o melhor jogador de pôquer conseguiria vencer-lhe a resistência.

Reserva

"Conta, vai..." Ele, cabisbaixo, contou: "Preciso sair. Tchau." Ela nunca soube como ajudar.

Equívoco

"Manuel, ó, Manuel, por onde andaste, gajo?" O outro não entendia português.

Esperança

Abertas as janelas, um raio de sol aqueceu-lhe as pontas dos dedos. Um bom motivo pra sorrir.

Opção

A tragédia era tamanha e as lágrimas tão copiosas que nada mais restava a fazer, além de seguir adiante.

Desespero

A mesa posta, velas acesas, cardápio caprichado e a mensagem no celular. Ele não viria. Ela, vestida a caráter, serviu-se lentamente. Sozinha. O prato, sujo de sangue... dos pulsos.

Rompimento

"Podemos nos ver hoje?" "Não!" O fim, inevitável... agora.