quinta-feira, 29 de maio de 2008

Bilhete

Escrevi, li, comentei, postei fotos, naveguei, ouvi música, esperei... que o sono chegasse, pra te dar boa noite. Mesmo sem resposta imediata, mas sabendo que amanhã verás que, enquanto dormias, eu pensava em ti... Então, boa noite.
Agora, mesmo sem sono, tenho que me recolher também. Não há mais nada pra fazer aqui. Meu último ato? Pensar em ti, até que o espelho se gaste nos meus ouvidos.

sábado, 24 de maio de 2008

Perdidos e achados

Ela procurava se achar, porque achava ter-se perdido. Ele a achou e não contou pra ninguém. Nem pra ela.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Sono eterno

Perdia o sono, escrevendo ou conversando. E ele demorava a aparecer de novo. Um dia, não mais que de repente, dormiu. Aí o sono se vingou. Pegou-a de jeito, e está com ela até hoje. Nunca mais deixou que acordasse...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Visita

Só uma palavra para definir o espaço dela: "Belo!". Foi o que se chama de E C O N O M I A.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Escolha

Criar era um vício. Amar, uma condição. O que provocou sua ruína.

Surto

Atravessou a rua vagarosamente, sem se importar com o movimento. Diante dos olhos, só um funil. Tentar sair dele era seu único objetivo. Do outro lado, a liberdade.

Impedimento

A porta trancada à chave era mais que um aviso. Sentença.

Invisibilidade

Ônibus lotado. Entre os trabalhadores, um bêbado e uma mulher visivelmente drogada. Na parada da rodoviária, eles descem. Não foram percebidos. Invisíveis.

Sono

A noite acariciou as curvas do corpo dela. Depois dormiu.

Passagem

Conheceram-se por acaso, num repente. Do mesmo jeito esqueceram um do outro.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

domingo, 11 de maio de 2008

Inveja

Ela pegou no pé da outra. Seguiu os passos dela, fuçou seus rastros virtuais incansavelmente. Pra nada. Fracassado intento. Por mais que pesquisasse, jamais conseguiu igualar seus feitos. Eram completamente diferentes, as duas. O que uma alcançou, a outra não teria. Daí o inconformismo da primeira. Eterno.

Missão

Ele fez o que tinha que ser feito. Foi recompensado. Realizou-se.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Miau?

No plenário feminino, entre aplausos e bravos e pedidos de bis, os miados não vinham da platéia, mas da tribuna, ocupada por um único representante do gênero masculino. Daí a concordância efusiva dos presentes - perdão, DAS presentes.




*Um conto minimalista, baseado em comentário, para meu poema Substantivo feminino III

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Do medo...

Quem diz não ter medo, não tem... nada... pq o medo sempre vem... senta, deita e dorme com a gente... nunca, jamais nos abandona, nosso companheiro constante. O medo, esse amante da felicidade.

Mito?

Um dia resolveu escrever uma palavra. Uma hora depois ocorreu-lhe outra. Ao cabo de uma semana, não sabia mais o que fazer com tantos vocábulos soltos. Juntou tudo, jogou no lixo e foi arrumar mais proveitosa ocupação. Um louco, no mesmo instante, acordado de uma letargia aparente, bebeu da rica vertente rejeitada. Daí a origem da poesia.

Des-orientação

No início começou o fim. Quando pensava que o fim estava muito próximo, era só o início. Das alegrias.

Cuidado...

A musa, solta, virou música. E voou.

Respostas e perguntas

Não sabia se havia proferido um chamado, nem se ele tinha sido devidamente ouvido. Mas foi atendido, e a pergunta fatídica, feita. Pergunta de fazer tremer o chão. Na medida exata pra deixar a descoberto o grande equívoco. Curta. Certeira. A espera da resposta que não soube chegar. Não soube, mas chegou. E a constatação de que REAL mesmo, era o batuque alto do peito; as cores da vida, repentinamente mais claras e o enorme peso do medo.
Resposta e pergunta, assim mesmo, nessa ordem, ambas preparadas desde o início da tarde, talvez pra confirmar a força desse laço.
"Amanhã amanheço ao teu lado. Eu te amo".

Confirmação

Ele deixou pra dizer no fim. E ela esperou. Eu te amo.

De poesia, morrer

Mergulhou nas letras dos versos escritos pra ele. Afogou-se.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Fim?

A pergunta explodiu na garganta dele, virando palavra audível. Impossível impedir. Quis ajudar na resposta. Ela, que tinha certeza até aquele exato momento de que nada mais restava, tremeu... emudeceu. Dona do verbo, perdeu o chão, que era feito de cimento, não de vocábulos raros.
Ah... se ele pudesse ouvir o coração dela, dispensaria a resposta. Ela dispensou. Sabia-se agora conhecedora do começo. Quanto ao fim... que fim?

Poder

Inteira, pela metade, aos pedaços. Ia alternando assim suas formas. Até que ele chegou e tudo isso perdeu a importância.

Círculo vicioso

Um verso, dois versos, três versos e eles estavam de mãos dadas de novo. O círculo completava a primeira volta.

Retorno

Perguntou. A resposta veio rápida. De novo, toda a sua vida ficou de cabeça pra baixo. Reaprendera a voar.

Mal-entendido

Ele não entendeu nada. Ela não pôde explicar.

A flor

"Pra mim? Não, não pode ser, impossível... Foi engano. Pretensão minha seria pensar..."



Ela se foi.


A flor murchou.



O endereço estava certo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Informática

Correu para ele. Abraçou, beijou, alisou, fitou longamente. Finalmente, ele estava de volta. O seu computador.

Desistência

Voltou. Não sabia muito bem pra quem, nem pra onde, nem porquê. Mas voltou.
Na estação do trem, deu meia volta. Preferiu não arriscar. E voltou.

Espera

Conferiu o relógio. Chegara adiantado demais. Restava esperar.
...
Está esperando até hoje. A lápide confirma isso...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Despercebido

Dia de chuva. Chocolate. Salgadinhos. Frio. Quadro transbordante de significados. Mas ele não tinha tempo para apreciar tudo isso. Estava completamente mergulhado na busca por essa tal felicidade.