terça-feira, 29 de abril de 2008

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Disfarce

Era grande, dona de si mesma. Ao menos assim se considerava. Até que a maquiagem escorreu-lhe do rosto. E ela mesma descobriu que não passava de uma criança.

Enchente

A sala de aula apinhada de gente. Que bom se fosse assim nos dias em que ela era apenas ocupada pelos alunos.

Tênue linha

Ele entrou no ônibus, beijou a namorada e sorriu para o amigo. Dez minutos depois, todos eram apenas lembrança cinzenta na memória dos que os amaram

Sem-sentido

Se tudo fosse agora, nesse instante, Maria Ermenegilda Gomes da Costa e Araújo responderia apenas pelo apelido: Pó.

Acaso?

A semente não plantada, brotou mesmo assim. E o sonho se fez.

Expectativa

Quando foi real, já não era mais.

Percepção

A noite que não se falaram foi particularmente longa. Todas as outras, breves demais. Ou será que já não sabiam medir a passagem do tempo?

Jóias

Ele gostava de Ouro Branco. Ela, de diamantes...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Bilhetinho

Acabo de deletar minha memória que delatava meus amores mais improváveis. Confesso que as declarações de amor feitas nos últimos 100 anos, por mim, foram todas... verdadeiras... infelizmente. Mas o prazo de validade expirou.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Dos males...

De um dia para o outro, terremoto. Caiu a casa, uma árvore sobre o carro, e todos os documentos perdidos. Ainda bem que a vida não foi atingida.

Estratégia

Ônibus lotado. No último banco, alguém cantava. E ninguém sabia que era pra espantar a tristeza. Ah, se eles soubessem como funcionava...

Inverno ou verão

Amava o branco, puro, gelado inverno. Pensava nisso, quando conheceu Betina. A partir daí, a única coisa que desejou na vida, foi ser eternamente verão...

Os sete pecados

Não sabia contar.

Gula

Devorava livros. Até que se engasgou. Morreu letrado. E feliz.

Curiosidade

Viera de longe, nas asas de um condor. E um dia voltaria para o lugar de onde veio. Antes, porém, precisava conhecer. O amor.

O anjo

Criava sonhos. Propunha viagens. Navegava na vida. E voava. Ninguém acreditou quando ele disse que era um anjo.

Carta

Esfomeado, lia cada vírgula. Lambia as letras e se deliciava com os sentidos. A carta, gasta de tanto manuseio...

Querer

O tempo passava depressa quando eles se encontravam. Nunca era suficiente. Sempre ficava na boca um gostinho de 'quero mais'. Até que eles se deram conta...

Função

O sol não veio. Mas a chuva lavou a alma.

Motivo?

Esperava por ele todas as noites. E ele vinha. Sendo assim, quem se importaria com a motivação?

Em nome da paz

Mais que um time de futebol, aquela era sua religião. Ela, do outro time. Provaram que a paz e a harmonia eram sonhos perfeitamente possíveis de realização.

Tintura

A tinta pingou dos cabelos. Mais uma mancha vermelha no sangue.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Solidão e liberdade

Tendo que enfrentar a solidão, respirou fundo, descalçou os sapatos, descansou a cabeça no braço da poltrona e descobriu que o nome disso era "liberdade". Tudo de que precisava naquele momento.


Licença Poética

Não usava borracha. Não consultava o dicionário. Recusava-se a admitir o erro. Licença poética.

Perigo!

Ele ria da cara do perigo, mas ela era mais perigosa que o perigo. Daí ele fugir absolutamente sempre, dela.

Variação Lingüística

Acredita na espécie humana. Só não sabe direito se odeia ou odia o Sistema, afinal, odia tudo vai melhorar....

Idéia

Ele era de poucas idéias. Aproveitou a que apareceu e fez-se um mundo.

Televisão

Ligou a televisão. Desligou da vida.

domingo, 20 de abril de 2008

Anonimato

Escondido atrás da máscara do anonimato, não se admitia devedor e credor de si mesmo.

Surpresa

A noite estava quente. Deixou a janela aberta. Deitou no sofá e ligou a televisão. Jamais soube quem desferiu o golpe fatal.

Valor

Comprou uma tela enorme, tintas e pincéis. Vários dias, esperando inspiração... A enorme tela branca foi vendida por milhões.

Meditação

Vendeu a casa, o carro, o laptop. Mudou-se para o interior... de si mesmo.

O segredo

Juntou-se aos índios, no meio da floresta, pra ver se encontrava, finalmente, o segredo da felicidade. E encontrou. Estava dentro dela o tempo todo, independente de onde ela estivesse.

Negativa

Esqueceu os espelhos. Esqueceu os cabelos. Esqueceu as doçuras. Esqueceu as delicadezas. Esqueceu a poesia. Esqueceu os joelhos. Esqueceu a taquicardia. Esqueceu o assombro e a folia. Escolheu dizer NÃO.

Inutilidade

Engoliu uma moeda, pra ver se 'enricava'. Os últimos centavos foram gastos na cirurgia.

Diagnóstico

Anorexia intelectual.

Atentado

Cansada de tudo sempre igual, passou a mão na tesoura, cortou os cabelos e as roupas, despiu-se completamente e saiu, sorrindo. Na primeira esquina, foi presa, por atentado ao pudor. E nem sabia o que era isso.

Hora marcada

O toque no celular indicava que a hora era aquela. Respirou fundo, fez o sinal da cruz e enfrentou a rua.

Impressão

Quantos meses se passaram? Três, quatro, doze, talvez. Mesmo assim, tudo parecia ter acontecido na noite anterior.

Fogo de palha

Não foram tantas as vezes em que se apaixonou de verdade. Fogo de palha, na maioria delas. Uma chuva fina apagou fácil, fácil, a maioria. Não dessa vez. A chuva foi torrencial e o fogo continuou ardendo. Até quando, impossível prever.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Olhares

Na fila do caixa, nada de especial. Até que ele chegou, meio de lado, com seu par de olhos muito pequenos e claros. Discretamente colocou a mão no bolso e anunciou o assalto. Assim mesmo, muito calmo e sem nenhuma pressa, virou em sua direção. Os olhos dela, parados; como se vissem através dele. Desistiu. Devolveu o produto do roubo, virou as costas e sumiu na rua. Ninguém o alcançou nem soube dizer ao certo pra que lado ele foi. Ninguém sabia, mas ele nunca mais voltaria a empunhar uma arma, por causa do olhar daquela criança. Cega.

Silêncio

Depois do longo silêncio, nada mais havia para ser dito.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Espera

Comprou flores, arrumou no vaso novo, sobre a mesa da copa. Preparou a janta com um cuidado há muito esquecido. Acendeu duas velas. Ligou o som. Esperou. Em vão.

Estratégia

Escrevia compulsivamente. Pra esquecer.

Mal entendido

Ele mandou um mail: "Envie a lista!". Ela enviou a lista dos namorados que já tivera na vida. Nunca mais soube dele.

Ela voltou ao local do último encontro. Tudo continuava como antes. Nem sequer a grama havia crescido. A única diferença é que, dessa vez, ela estava só.

Irreconhecível

Estavam tão acostumados à mentira que não reconheceram a verdade, quando ela foi pronunciada.

Perdão

Temeu tanto a Deus que assumiu todas as culpas, as que tinha realmente e as que apenas suspeitava ter. Descobriu que Deus não computava culpas. E só então ele SE perdoou.

O herdeiro

Tinha o dom da palavra. Não tinha condições de exprimir o que se passava naquele instante exato em que um choro de bebê quebrava o silêncio da sala de parto. Jamais teria.

Inocência

Ele não fumava, mas perguntou:
- Tem fogo?
Ela tinha. E como tinha!

Solidão

Quando o inverno anunciou que viria com toda a força, ela tratou de procurar as mantas, as polainas, as botas, as blusas de lã, os cobertores pesados, os edredons. Há anos deixara de acreditar que acordaria acompanhada um dia.

Providência?

O pio da coruja avisa que a noite há muito adormeceu. O livro faz dançar as linhas escritas. Os olhos dele não fixam em nada em especial. Estão longe. No momento exato em que o namorado - dela - apareceu. E o chocolate ainda derretia na boca.

Um novo amor

O dia amanheceu sorridente. O sol até apareceu antes, sabedor dos próximos acontecimentos. Só Rogério Pinto Àlvares da Silva e Cordato não sabia, que na primavera os amores têm cheiro de rosas.

Memória

Um riso abafado foi a única lembrança que ela dele guardou.

Sorriso

No rosto, o beijo da doçura.

Morte

Não conseguiu mais fechar os olhos, tamanho o espanto.

Impronuncíável

Ela queria dizer. Ele, surdo. A PALAVRA que não foi dita, morreu na garganta. As possibilidades todas, sepultadas ao mesmo tempo.

Crime

Uma atitude inconseqüente aqui, um depoimento ali e a vida foi tomando o rumo esperado. As grades seriam o limite pelos próximos anos.

Fuga

Ele corria tanto que ela jamais o alcançou. E os dois nunca descobriram se seria possível.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Interrupção

Não trocou a cueca. Não penteou os cabelos. Não calçou os sapatos, muito menos as luvas. Não precisava mais de nada disso.

Dúvida cruel

Talvez as respostas nos persigam, latas presas ao carro nupcial que nos leva, desde que casamos com a vida. Até que a morte nos separe. Ou não.

Insensibilidade

Dentro da caixa toráxica, uma pedra.

Sucedânea

Comprou uvas passas. Piscou para o guarda de trânsito e pisou num cocô de cachorro. Cuspiu no chão, ato impensável há alguns minutos apenas. Experimentou o gosto amargo da liberdade.

Infinito

A voz melodiosa enfeitava todo o recinto. Os convidados, encantados, andavam nas nuvens. As vestes brancas dos dois denotavam pureza. Na Terra, a vida seguia seu curso.

Ultimatum

Recostado no sofá da sala, com o jornal aberto no colo e uma caneca de café ainda quente sobre a mesinha de centro, recapitulava os acontecimentos das últimas horas. Últimas mesmo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Fortaleza

A chuva de granizo destruiu a lavoura, o telhado da casa, o capô do carro. Só não atingiu o ânimo deles.

Chance

Eles se viam todas as noites, no mesmo ponto de ônibus. Até que ela não apareceu mais. E ele lamentou jamais ter-lhe perguntado as horas.

Acidente






Nem uma gota de sangue na calçada. Mesmo assim, a vida escorreu-lhe do corpo.

Liberdade

No relógio de pêndulo, a hora exata do último vôo ainda tique-taqueava.

Bem-me-quer



Despetalar a margarida era fácil. Difícil seria encontrar um bem-querer.

Batente

Era para a ladeira íngreme da Favela do Rojão que a lua, holofote natural, se voltava, quando Washington Luiz, mais conhecido como Marilyn Edite da Costa Barbosa e Lima, saía para trabalhar, vestido de couro preto, colado ao corpo escultural...

Silêncio

Não ouviu nada. Nada havia para dizer.