Três tiros. Três jovens. Uma vida ceifada. Uma vida alterada. Uma vida encarcerada. Perderam eles. Perderam todos. Perdemos.
Gosto dos contos minimalistas. Eles não ocupam muito espaço, não dizem quase nada e te fazem viajar pra tão longe que fica quase difícil voltar, depois... Diga tudo, com o menor número possível de palavras. Adoro isso. Eu, uma prolixa confessa, vejam só...
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Separação
Ele não deu mais notícias. Os dias não tiveram mais a mesma graça. O sol não teve mais o mesmo calor. Até que amanheceu, de repente, e ele passou a fazer parte das boas lembranças dela...
Reminiscências
Pincelou lembranças. Não poderia ir adiante sem as cores com que pintara sua vida, no passado.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
domingo, 31 de agosto de 2008
Coração
Ele morria de medo de ter um coração. Quem poderia impedir que ele sofresse, se o tivesse, de fato?
quarta-feira, 23 de julho de 2008
sábado, 19 de julho de 2008
Colar de Pérolas
As contas rolam entre os dedos pegajosos.
Redonda perfeição a escorregar ao longo da pele.
Originária da dor, a ferida se faz jóia
e adorna a branca tez;
perolada
ferida
de
s
a
n
g
u
e
manchada...
ooooooooooooooooo o
o
o
o
o
o
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ferida
de
s
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n
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u
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domingo, 6 de julho de 2008
UM MINUTO DE FAMA
Manifestação. Maior pandemônio na cidade. Pancadaria. Empurra-empurra. Televisão. Um tiro. Diante das câmeras, todo o mundo querendo aparecer. Até o morto.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Descanse em paz
Ele resolveu infernizar a vida dela. Brigou, insultou, ofendeu, reclamou, esbravejou, amaldiçoou, ameaçou, bateu, atormentou. Até que ele morreu. E ela descansou em paz.
domingo, 29 de junho de 2008
domingo, 15 de junho de 2008
Tédio
Comprou carne, comeu quilos e quilos de churrasco. Sentou na frente da TV. Engordou 200 quilos. E explodiu. De tédio.
sábado, 14 de junho de 2008
Razão e emoção
Bastou o primeiro beijo e a razão, essa inconstante, pegou carona na luz e desapareceu... Ninguém sabe. Ninguém a viu.
domingo, 8 de junho de 2008
Bilhete II
Debaixo da porta dele, um bilhete dela, que dispensava assinatura:
"Quando não vens, sinto falta de mim".
"Quando não vens, sinto falta de mim".
sábado, 7 de junho de 2008
Morrer de saudade
Tamanha era a saudade, que decidiu: iria ao seu encontro. De qualquer jeito. Com a cabeça longe, atravessou a rua. A carreta não freou a tempo.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Bilhete
Escrevi, li, comentei, postei fotos, naveguei, ouvi música, esperei... que o sono chegasse, pra te dar boa noite. Mesmo sem resposta imediata, mas sabendo que amanhã verás que, enquanto dormias, eu pensava em ti... Então, boa noite.
Agora, mesmo sem sono, tenho que me recolher também. Não há mais nada pra fazer aqui. Meu último ato? Pensar em ti, até que o espelho se gaste nos meus ouvidos.
sábado, 24 de maio de 2008
Perdidos e achados
Ela procurava se achar, porque achava ter-se perdido. Ele a achou e não contou pra ninguém. Nem pra ela.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Sono eterno
Perdia o sono, escrevendo ou conversando. E ele demorava a aparecer de novo. Um dia, não mais que de repente, dormiu. Aí o sono se vingou. Pegou-a de jeito, e está com ela até hoje. Nunca mais deixou que acordasse...
quarta-feira, 21 de maio de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Surto
Atravessou a rua vagarosamente, sem se importar com o movimento. Diante dos olhos, só um funil. Tentar sair dele era seu único objetivo. Do outro lado, a liberdade.
Invisibilidade
Ônibus lotado. Entre os trabalhadores, um bêbado e uma mulher visivelmente drogada. Na parada da rodoviária, eles descem. Não foram percebidos. Invisíveis.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
domingo, 11 de maio de 2008
Inveja
Ela pegou no pé da outra. Seguiu os passos dela, fuçou seus rastros virtuais incansavelmente. Pra nada. Fracassado intento. Por mais que pesquisasse, jamais conseguiu igualar seus feitos. Eram completamente diferentes, as duas. O que uma alcançou, a outra não teria. Daí o inconformismo da primeira. Eterno.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Miau?
No plenário feminino, entre aplausos e bravos e pedidos de bis, os miados não vinham da platéia, mas da tribuna, ocupada por um único representante do gênero masculino. Daí a concordância efusiva dos presentes - perdão, DAS presentes.
*Um conto minimalista, baseado em comentário, para meu poema Substantivo feminino III
*Um conto minimalista, baseado em comentário, para meu poema Substantivo feminino III
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Do medo...
Quem diz não ter medo, não tem... nada... pq o medo sempre vem... senta, deita e dorme com a gente... nunca, jamais nos abandona, nosso companheiro constante. O medo, esse amante da felicidade.
Mito?
Um dia resolveu escrever uma palavra. Uma hora depois ocorreu-lhe outra. Ao cabo de uma semana, não sabia mais o que fazer com tantos vocábulos soltos. Juntou tudo, jogou no lixo e foi arrumar mais proveitosa ocupação. Um louco, no mesmo instante, acordado de uma letargia aparente, bebeu da rica vertente rejeitada. Daí a origem da poesia.
Des-orientação
No início começou o fim. Quando pensava que o fim estava muito próximo, era só o início. Das alegrias.
Respostas e perguntas
Não sabia se havia proferido um chamado, nem se ele tinha sido devidamente ouvido. Mas foi atendido, e a pergunta fatídica, feita. Pergunta de fazer tremer o chão. Na medida exata pra deixar a descoberto o grande equívoco. Curta. Certeira. A espera da resposta que não soube chegar. Não soube, mas chegou. E a constatação de que REAL mesmo, era o batuque alto do peito; as cores da vida, repentinamente mais claras e o enorme peso do medo.
Resposta e pergunta, assim mesmo, nessa ordem, ambas preparadas desde o início da tarde, talvez pra confirmar a força desse laço.
"Amanhã amanheço ao teu lado. Eu te amo".
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Fim?
A pergunta explodiu na garganta dele, virando palavra audível. Impossível impedir. Quis ajudar na resposta. Ela, que tinha certeza até aquele exato momento de que nada mais restava, tremeu... emudeceu. Dona do verbo, perdeu o chão, que era feito de cimento, não de vocábulos raros.
Ah... se ele pudesse ouvir o coração dela, dispensaria a resposta. Ela dispensou. Sabia-se agora conhecedora do começo. Quanto ao fim... que fim?
Poder
Inteira, pela metade, aos pedaços. Ia alternando assim suas formas. Até que ele chegou e tudo isso perdeu a importância.
Círculo vicioso
Um verso, dois versos, três versos e eles estavam de mãos dadas de novo. O círculo completava a primeira volta.
Retorno
Perguntou. A resposta veio rápida. De novo, toda a sua vida ficou de cabeça pra baixo. Reaprendera a voar.
A flor
"Pra mim? Não, não pode ser, impossível... Foi engano. Pretensão minha seria pensar..."
Ela se foi.
A flor murchou.
O endereço estava certo.
Ela se foi.
A flor murchou.
O endereço estava certo.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Informática
Correu para ele. Abraçou, beijou, alisou, fitou longamente. Finalmente, ele estava de volta. O seu computador.
Desistência
Voltou. Não sabia muito bem pra quem, nem pra onde, nem porquê. Mas voltou.
Na estação do trem, deu meia volta. Preferiu não arriscar. E voltou.
Na estação do trem, deu meia volta. Preferiu não arriscar. E voltou.
Espera
Conferiu o relógio. Chegara adiantado demais. Restava esperar.
...
Está esperando até hoje. A lápide confirma isso...
...
Está esperando até hoje. A lápide confirma isso...
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Despercebido
Dia de chuva. Chocolate. Salgadinhos. Frio. Quadro transbordante de significados. Mas ele não tinha tempo para apreciar tudo isso. Estava completamente mergulhado na busca por essa tal felicidade.
terça-feira, 29 de abril de 2008
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Disfarce
Era grande, dona de si mesma. Ao menos assim se considerava. Até que a maquiagem escorreu-lhe do rosto. E ela mesma descobriu que não passava de uma criança.
Enchente
A sala de aula apinhada de gente. Que bom se fosse assim nos dias em que ela era apenas ocupada pelos alunos.
Tênue linha
Ele entrou no ônibus, beijou a namorada e sorriu para o amigo. Dez minutos depois, todos eram apenas lembrança cinzenta na memória dos que os amaram
Sem-sentido
Se tudo fosse agora, nesse instante, Maria Ermenegilda Gomes da Costa e Araújo responderia apenas pelo apelido: Pó.
Percepção
A noite que não se falaram foi particularmente longa. Todas as outras, breves demais. Ou será que já não sabiam medir a passagem do tempo?
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Bilhetinho
Acabo de deletar minha memória que delatava meus amores mais improváveis. Confesso que as declarações de amor feitas nos últimos 100 anos, por mim, foram todas... verdadeiras... infelizmente. Mas o prazo de validade expirou.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Dos males...
De um dia para o outro, terremoto. Caiu a casa, uma árvore sobre o carro, e todos os documentos perdidos. Ainda bem que a vida não foi atingida.
Estratégia
Ônibus lotado. No último banco, alguém cantava. E ninguém sabia que era pra espantar a tristeza. Ah, se eles soubessem como funcionava...
Inverno ou verão
Amava o branco, puro, gelado inverno. Pensava nisso, quando conheceu Betina. A partir daí, a única coisa que desejou na vida, foi ser eternamente verão...
Curiosidade
Viera de longe, nas asas de um condor. E um dia voltaria para o lugar de onde veio. Antes, porém, precisava conhecer. O amor.
O anjo
Criava sonhos. Propunha viagens. Navegava na vida. E voava. Ninguém acreditou quando ele disse que era um anjo.
Carta
Esfomeado, lia cada vírgula. Lambia as letras e se deliciava com os sentidos. A carta, gasta de tanto manuseio...
Querer
O tempo passava depressa quando eles se encontravam. Nunca era suficiente. Sempre ficava na boca um gostinho de 'quero mais'. Até que eles se deram conta...
Motivo?
Esperava por ele todas as noites. E ele vinha. Sendo assim, quem se importaria com a motivação?
Em nome da paz
Mais que um time de futebol, aquela era sua religião. Ela, do outro time. Provaram que a paz e a harmonia eram sonhos perfeitamente possíveis de realização.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Solidão e liberdade
Tendo que enfrentar a solidão, respirou fundo, descalçou os sapatos, descansou a cabeça no braço da poltrona e descobriu que o nome disso era "liberdade". Tudo de que precisava naquele momento.
Licença Poética
Não usava borracha. Não consultava o dicionário. Recusava-se a admitir o erro. Licença poética.
Perigo!
Ele ria da cara do perigo, mas ela era mais perigosa que o perigo. Daí ele fugir absolutamente sempre, dela.
Variação Lingüística
Acredita na espécie humana. Só não sabe direito se odeia ou odia o Sistema, afinal, odia tudo vai melhorar....
domingo, 20 de abril de 2008
Surpresa
A noite estava quente. Deixou a janela aberta. Deitou no sofá e ligou a televisão. Jamais soube quem desferiu o golpe fatal.
Valor
Comprou uma tela enorme, tintas e pincéis. Vários dias, esperando inspiração... A enorme tela branca foi vendida por milhões.
O segredo
Juntou-se aos índios, no meio da floresta, pra ver se encontrava, finalmente, o segredo da felicidade. E encontrou. Estava dentro dela o tempo todo, independente de onde ela estivesse.
Negativa
Esqueceu os espelhos. Esqueceu os cabelos. Esqueceu as doçuras. Esqueceu as delicadezas. Esqueceu a poesia. Esqueceu os joelhos. Esqueceu a taquicardia. Esqueceu o assombro e a folia. Escolheu dizer NÃO.
Atentado
Cansada de tudo sempre igual, passou a mão na tesoura, cortou os cabelos e as roupas, despiu-se completamente e saiu, sorrindo. Na primeira esquina, foi presa, por atentado ao pudor. E nem sabia o que era isso.
Hora marcada
O toque no celular indicava que a hora era aquela. Respirou fundo, fez o sinal da cruz e enfrentou a rua.
Impressão
Quantos meses se passaram? Três, quatro, doze, talvez. Mesmo assim, tudo parecia ter acontecido na noite anterior.
Fogo de palha
Não foram tantas as vezes em que se apaixonou de verdade. Fogo de palha, na maioria delas. Uma chuva fina apagou fácil, fácil, a maioria. Não dessa vez. A chuva foi torrencial e o fogo continuou ardendo. Até quando, impossível prever.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Olhares
Na fila do caixa, nada de especial. Até que ele chegou, meio de lado, com seu par de olhos muito pequenos e claros. Discretamente colocou a mão no bolso e anunciou o assalto. Assim mesmo, muito calmo e sem nenhuma pressa, virou em sua direção. Os olhos dela, parados; como se vissem através dele. Desistiu. Devolveu o produto do roubo, virou as costas e sumiu na rua. Ninguém o alcançou nem soube dizer ao certo pra que lado ele foi. Ninguém sabia, mas ele nunca mais voltaria a empunhar uma arma, por causa do olhar daquela criança. Cega.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Espera
Comprou flores, arrumou no vaso novo, sobre a mesa da copa. Preparou a janta com um cuidado há muito esquecido. Acendeu duas velas. Ligou o som. Esperou. Em vão.
Mal entendido
Ele mandou um mail: "Envie a lista!". Ela enviou a lista dos namorados que já tivera na vida. Nunca mais soube dele.
Só
Ela voltou ao local do último encontro. Tudo continuava como antes. Nem sequer a grama havia crescido. A única diferença é que, dessa vez, ela estava só.
Irreconhecível
Estavam tão acostumados à mentira que não reconheceram a verdade, quando ela foi pronunciada.
Perdão
Temeu tanto a Deus que assumiu todas as culpas, as que tinha realmente e as que apenas suspeitava ter. Descobriu que Deus não computava culpas. E só então ele SE perdoou.
O herdeiro
Tinha o dom da palavra. Não tinha condições de exprimir o que se passava naquele instante exato em que um choro de bebê quebrava o silêncio da sala de parto. Jamais teria.
Solidão
Quando o inverno anunciou que viria com toda a força, ela tratou de procurar as mantas, as polainas, as botas, as blusas de lã, os cobertores pesados, os edredons. Há anos deixara de acreditar que acordaria acompanhada um dia.
Providência?
O pio da coruja avisa que a noite há muito adormeceu. O livro faz dançar as linhas escritas. Os olhos dele não fixam em nada em especial. Estão longe. No momento exato em que o namorado - dela - apareceu. E o chocolate ainda derretia na boca.
Um novo amor
O dia amanheceu sorridente. O sol até apareceu antes, sabedor dos próximos acontecimentos. Só Rogério Pinto Àlvares da Silva e Cordato não sabia, que na primavera os amores têm cheiro de rosas.
Impronuncíável
Ela queria dizer. Ele, surdo. A PALAVRA que não foi dita, morreu na garganta. As possibilidades todas, sepultadas ao mesmo tempo.
Crime
Uma atitude inconseqüente aqui, um depoimento ali e a vida foi tomando o rumo esperado. As grades seriam o limite pelos próximos anos.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Interrupção
Não trocou a cueca. Não penteou os cabelos. Não calçou os sapatos, muito menos as luvas. Não precisava mais de nada disso.
Dúvida cruel
Talvez as respostas nos persigam, latas presas ao carro nupcial que nos leva, desde que casamos com a vida. Até que a morte nos separe. Ou não.
Sucedânea
Comprou uvas passas. Piscou para o guarda de trânsito e pisou num cocô de cachorro. Cuspiu no chão, ato impensável há alguns minutos apenas. Experimentou o gosto amargo da liberdade.
Infinito
A voz melodiosa enfeitava todo o recinto. Os convidados, encantados, andavam nas nuvens. As vestes brancas dos dois denotavam pureza. Na Terra, a vida seguia seu curso.
Ultimatum
Recostado no sofá da sala, com o jornal aberto no colo e uma caneca de café ainda quente sobre a mesinha de centro, recapitulava os acontecimentos das últimas horas. Últimas mesmo.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Fortaleza
A chuva de granizo destruiu a lavoura, o telhado da casa, o capô do carro. Só não atingiu o ânimo deles.
Chance
Eles se viam todas as noites, no mesmo ponto de ônibus. Até que ela não apareceu mais. E ele lamentou jamais ter-lhe perguntado as horas.
Batente
Era para a ladeira íngreme da Favela do Rojão que a lua, holofote natural, se voltava, quando Washington Luiz, mais conhecido como Marilyn Edite da Costa Barbosa e Lima, saía para trabalhar, vestido de couro preto, colado ao corpo escultural...
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